Arquivos Principal - Marcelo Comparin Psicólogo Clínico Thu, 24 Sep 2026 11:50:33 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.2 https://marcelocomparin.com/wp-content/uploads/2026/05/marceloinsight-favicon-512.png Arquivos Principal - Marcelo Comparin 32 32 197496721 Manifesto íntimo para 2026 https://marcelocomparin.com/manifesto-intimo-para-2026/ Sun, 21 Dec 2025 18:13:52 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=1463 De 2025 para 2026, o mundo ganha um número novo e a gente ganha a mesma velha chance: ou continuar chamando repetição de “fase”, ou admitir que existe um padrão pedindo intervenção. A virada do ano é um ritual bonito, mas ele não tem poder místico; quem tem poder (e responsabilidade) é você. A ilusão […]

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De 2025 para 2026, o mundo ganha um número novo e a gente ganha a mesma velha chance: ou continuar chamando repetição de “fase”, ou admitir que existe um padrão pedindo intervenção. A virada do ano é um ritual bonito, mas ele não tem poder místico; quem tem poder (e responsabilidade) é você.

A ilusão do número

Há uma hora da noite, entre o último compromisso social e o primeiro silêncio real, em que fica difícil manter a fantasia de que “um novo ano” é sinônimo de “uma nova vida”, porque o que se percebe — com uma clareza quase cruel — é que a vida não muda quando o calendário muda, ela muda quando a estrutura interna muda, e estrutura é exatamente aquilo que quase ninguém quer cultivar sem antes negociar com o próprio conforto.

O problema não é desejar; o problema é fazer do desejo um cargo de liderança, e isso explica por que tanta gente entra em janeiro com uma alegria de superfície e sai de março com um cansaço de alma: a pessoa tenta usar motivação como se fosse um motor estável, quando motivação é clima, e clima muda; por isso eu volto sempre à mesma frase, não por dureza, mas por realismo: “Criança faz o que gosta. Adulto faz o que tem que ser feito.”​​

No meu texto sobre a maturidade do dever e a hierarquia dos propósitos, eu exploro justamente essa passagem — da infância do desejo para a maturidade do dever — como um eixo de amadurecimento emocional que não depende de “virar a chave” num dia específico, mas de aceitar que toda vida minimamente boa é construída sobre escolhas sustentadas, não sobre impulsos bem justificados.​

A lei do dever (sem crueldade, sem drama)

O dever, quando é bem compreendido, não é um chicote moral; é um tipo de compromisso com aquilo que salva você de si mesmo, e isso soa estranho porque o nosso tempo vende a ideia de que liberdade é fazer o que dá vontade, quando, na prática, esse modelo costuma produzir uma prisão elegante: você vira refém do humor, da ansiedade, do apetite por alívio imediato, e de uma necessidade constante de estímulo — como se a vida só valesse quando está “alta”.

Eu vejo isso com frequência: as pessoas confundem autenticidade com espontaneidade, e espontaneidade sem direção é só aleatoriedade; o adulto não mata a criança interna, ele só tira a criança do volante, porque a criança interna quer prazer agora e não entende custo depois, enquanto o adulto entende custo agora e colhe resultado depois — e, sim, esse “depois” é o lugar onde quase todo mundo diz que vai morar, mas poucos pagam a mudança.

E aqui entra uma frase que eu gosto porque parece simples e, ao mesmo tempo, exige uma atitude rara: “O passado deve ser um guia, não um peso.” — porque, quando o passado vira guia, ele vira aprendizado; quando vira peso, ele vira identidade, e identidade pesada não atravessa ano nenhum com leveza: atravessa só com repetição e resignação.​​

Hierarquia, limite e o egoísmo necessário

É impossível falar de maturidade sem falar de hierarquia, porque maturidade é saber o que vem antes; e o que destrói a vida adulta não é apenas a falta de talento, mas a ausência de prioridade — esse vício moderno de tratar tudo como urgente, de permitir que qualquer estímulo vire obrigação, de viver como se a agenda fosse uma prova de valor, quando, no fundo, agenda cheia pode ser só medo de silêncio.

Por isso eu defendo a Hierarquia de Propósitos como um mapa prático: uma forma de organizar o que é importante, o que é urgente e o que é só desejo barulhento; e essa organização não serve para “ficar produtivo”, serve para parar de desperdiçar a própria vida em dispersões bem racionalizadas.​

Mas a hierarquia só funciona se você aceitar um princípio que muita gente odeia: o egoísmo mínimo necessário; no texto em que eu exploro “virtudes, hierarquia e egoísmo basal”, a ideia é justamente esta — sem algum nível de proteção de tempo, energia e espaço psíquico, a pessoa vira um lugar público, e, depois, chama o próprio ressentimento de “cansaço” e a própria desistência de “falta de tempo”.​

Manifesto íntimo para 2026

Se 2026 tiver alguma chance de ser diferente, ela não virá de metas bonitas, virá de um pacto silencioso: um pacto de coerência, em que você para de negociar com o essencial e começa a negociar com o supérfluo; e, curiosamente, esse pacto tende a doer no começo, porque a mente acostumada à infância do desejo vive toda renúncia como perda — até perceber que renunciar ao que não importa é exatamente o que devolve liberdade ao que importa.

Eu poderia terminar com conselhos práticos, mas você pediu filosofia, e filosofia de verdade não é enfeite: é fundamento; então eu vou encerrar assim — 2026 não vai exigir que você seja um herói, vai exigir que você seja constante, porque a verdadeira transformação não acontece no grande gesto, acontece no pequeno gesto repetido, e isso está profundamente alinhado com a ideia que eu desenvolvo no texto sobre consistência e paciência: resultados sólidos nascem menos do brilho e mais da repetição bem sustentada.​

Portanto, se eu tiver que deixar uma última provocação (do tipo que não serve para “inspirar”, serve para organizar), ela é esta: ao entrar em 2026, escolha conscientemente qual parte de você vai mandar — a criança que corre atrás do que gosta, ou o adulto que sustenta o que deve — e depois aceite o preço dessa escolha sem drama, porque o preço é o mesmo que sempre foi, só muda o jeito de pagar: ou você paga com disciplina e presença, ou paga com arrependimento e atraso.​

Perguntas Frequentes

Por que repito os mesmos erros todo ano mesmo querendo mudar?

A repetição de padrões não é falta de vontade — é a ausência de mudança na estrutura interna. A motivação de janeiro funciona como um clima: intensa e passageira. O que sustenta a transformação real são escolhas coerentes repetidas ao longo do tempo, não impulsos bem justificados. Quando a pessoa entra em contato com os padrões que a governam — muitas vezes invisíveis a ela mesma — e começa a tratá-los como algo que exige intervenção ativa, e não apenas boa intenção, é que a mudança começa a se consolidar. Reconhecer o padrão é o primeiro passo; o segundo é ter estrutura para não negociar com o que é essencial.

Como mudar de verdade no ano novo e não só nas primeiras semanas?

A virada do ano não tem poder transformador por si só — quem tem esse poder é a decisão de agir de forma diferente no cotidiano. A diferença entre quem muda e quem repete está na pequena ação sustentada, não no grande gesto simbólico. Isso significa identificar qual parte de você vai comandar as decisões — o impulso de curto prazo ou a escolha adulta orientada por propósito — e aceitar o custo dessa escolha sem drama. Metas bonitas no papel não bastam; o que funciona é um pacto silencioso de coerência: parar de negociar com o essencial e começar a negociar com o supérfluo.

Psicoterapia ajuda realmente a mudar comportamentos ou é só conversa?

A psicoterapia atua exatamente onde as resoluções de ano novo costumam falhar: na estrutura interna que sustenta os padrões de comportamento. Conversar com um psicólogo não é desabafar sem direção — é um trabalho sistemático de identificar o que se repete, entender de onde vem e criar condições psicológicas para que a mudança ocorra e se mantenha. O processo terapêutico não substitui o esforço pessoal, mas o torna mais eficiente: funciona como um acelerador de mudança para quem já reconheceu que a repetição não é uma fase, mas um padrão que precisa de intervenção.

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Lei de Kidlin: escrever o problema é metade da solução https://marcelocomparin.com/lei-de-kidlin-escrever-o-problema-e-metade-da-solucao/ Tue, 12 Aug 2025 10:58:00 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=1347 Ao longo dos anos, notei algo que se repete no consultório: muitas pessoas sofrem não apenas pelo que está acontecendo, mas por não saber o que fazer. Quando paramos para descrever a situação com precisão, a angústia perde força e o caminho começa a aparecer. É a essência da Lei de Kidlin: “Escrever o problema claramente resolve metade […]

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Ao longo dos anos, notei algo que se repete no consultório: muitas pessoas sofrem não apenas pelo que está acontecendo, mas por não saber o que fazer. Quando paramos para descrever a situação com precisão, a angústia perde força e o caminho começa a aparecer. É a essência da Lei de Kidlin: “Escrever o problema claramente resolve metade dele.”

Não é mágica. É clareza. Ao transformar em palavras aquilo que estava difuso, a mente ganha contorno; o corpo, alívio; e a ação, direção.

O foco tem que estar na solução, não no problema. Não podemos controlar os problemas, mas sim as soluções.

O que significa “escrever claramente”?

Não é desabafo sem fim, nem texto perfeito. É definir o problema de forma objetiva, até caber em uma frase.

  • Em vez de: “Minha cabeça está um caos.”
  • Prefira: “Estou evitando responder o e-mail do meu chefe porque temo críticas ao meu projeto.”

Quando há um alvo concreto, fica mais fácil escolher a estratégia e agir.

Por que funciona?

  • Nomear acalma. Sair do “tudo ao mesmo tempo” reduz a ansiedade e facilita pensar.
  • Separa fatos de suposições. Fica claro o que aconteceu e o que é projeção.
  • Permite priorizar. Um problema bem definido se divide em partes menores e executáveis.

Um roteiro simples (5 passos em 7 minutos)

  1. Descarregue (1 min): escreva livremente o que incomoda, sem editar.
  2. Defina em uma frase (1 min): “Meu problema agora é…”
  3. Fatos x suposições (2 min): duas colunas, objetivas.
  4. Critério de solução (1 min): como você saberá que melhorou? Liste 1–3 sinais.
  5. Próximo passo mínimo (2 min): uma ação de até 10 minutos, com dia e hora.

Se travar na frase única, refine os “fatos x suposições” e tente de novo.

Três exemplos práticos

1) Ansiedade antes de uma reunião

  • Frase: “Temo ser questionado sobre dados que não domino.”
  • Fatos: apresentação de 10 minutos; 3 perguntas esperadas.
  • Suposições: “vão achar meu trabalho fraco”.
  • Critério: expor ideia sem perder o fio e responder ao essencial.
  • Passo mínimo: revisar 2 métricas-chave e ensaiar por 8 minutos.

2) Procrastinação de um relatório

  • Frase: “Adiei o relatório porque não sei por onde começar.”
  • Fatos: prazo em 3 dias; dados prontos.
  • Suposições: “vai ficar ruim”.
  • Critério: versão simples entregue no prazo.
  • Passo mínimo: escrever a estrutura com 5 subtítulos (10 minutos).

3) Dilema de carreira

  • Frase: “Penso em trocar de área por falta de sentido no trabalho.”
  • Fatos: 5 anos na função; proposta em outra empresa; possível queda salarial inicial.
  • Suposições: “vou me arrepender”.
  • Critério: decisão coerente com meus valores e horizonte de 2–3 anos.
  • Passo mínimo: lista de prós/cons objetivos e uma conversa exploratória.

Ligando com a Hierarquia de Propósitos

Escrever traz clareza; priorizar exige direção. Liste 3–5 propósitos (saúde, família, desenvolvimento, contribuição). Releia o problema em uma frase e pergunte: qual propósito isso impacta diretamente?

Classifique a ação como Essencial (inegociável), Estratégica (cria condições) ou Contextual (pode esperar). Assim você evita gastar energia no que grita mais alto, mas não move sua vida.

Armadilhas comuns (e como evitar)

  • Ruminação disfarçada: escrever só para reviver o problema aumenta o peso. Termine sempre com um próximo passo.
  • Perfeccionismo: o rascunho que vira ação é melhor que o texto ideal que nunca sai.
  • Troca constante de método: escolha um formato simples (caderno ou notas do celular) e mantenha.

Um checklist para hoje (3 minutos)

  • Defini meu problema em uma frase.
  • Separei fatos de suposições.
  • Anotei um passo de 10 minutos com dia e hora.
  • Classifiquei a prioridade pela Hierarquia de Propósitos.

Conclusão

Resolver problemas complexos começa por saber o que fazer agora. Escrever com clareza entrega essa resposta inicial — e com ela, metade do peso cai dos ombros. A outra metade é ação consistente, alinhada aos seus propósitos. O foco tem que estar na solução, não no problema. Não podemos controlar os problemas, mas sim as soluções.


Leitura sugerida

Hierarquia das Virtudes e dos Propósitos: entre a infância do desejo e a maturidade do dever — uma reflexão prática sobre como colocar o que realmente importa em primeiro lugar e alinhar decisões ao propósito.

Link: https://marcelocomparin.com/a-hierarquia-das-virtudes-e-dos-propositos-entre-a-infancia-do-desejo-e-a-maturidade-do-dever/

Link sobre algumas leis “interessantes”: https://www.instagram.com/reel/DAmb4JStyxb/?hl=pt-br

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Maturidade Emocional: Virtudes, Dever e Propósito https://marcelocomparin.com/a-hierarquia-das-virtudes-e-dos-propositos-entre-a-infancia-do-desejo-e-a-maturidade-do-dever/ Wed, 16 Jul 2025 11:41:13 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=1219 Resumo direto: maturidade emocional é a capacidade de organizar desejo, dever e propósito para agir com mais liberdade interna, mesmo quando a escolha correta não é a mais confortável. Este texto amplia temas do blog sobre psicologia e desenvolvimento pessoal e se conecta à página de Marcelo Comparin para situar virtudes, propósito e psicoterapia na […]

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Resumo direto: maturidade emocional é a capacidade de organizar desejo, dever e propósito para agir com mais liberdade interna, mesmo quando a escolha correta não é a mais confortável.

Este texto amplia temas do blog sobre psicologia e desenvolvimento pessoal e se conecta à página de Marcelo Comparin para situar virtudes, propósito e psicoterapia na vida adulta.

Como psicólogo com mais de duas décadas de escuta clínica, tenho percebido que grande parte do sofrimento moderno nasce da confusão entre desejo e propósito. É comum ver adultos esperando que a vida os recompense por fazerem apenas o que gostam — como se a felicidade fosse um direito automático, não uma construção comprometida.

É nesse ponto que uma frase que costumo repetir aos meus pacientes entra em cena:

“Criança faz o que gosta. Adulto faz o que tem que ser feito.”

Essa frase, muitas vezes provocativa, não é uma sentença dura. Pelo contrário: é um convite à maturidade emocional. E ao refletir sobre isso, encontro respaldo na filosofia clássica de Aristóteles, especialmente na teoria das virtudes cardeais.


O que Aristóteles tem a ver com a clínica psicológica?

Para Aristóteles, a vida boa (eudaimonia) não é apenas prazer ou sucesso. É viver com excelência, cultivando virtudes. As quatro virtudes cardeais são:

  • Prudência (phronesis): a sabedoria prática de quem age com reflexão.
  • Coragem (andreia): a disposição de agir apesar do medo.
  • Temperança (sophrosyne): o equilíbrio entre os impulsos e os limites.
  • Justiça (dikaiosyne): dar a cada um o que lhe é devido.

Essas virtudes não são traços de personalidade fixos, mas hábitos que podem ser treinados, como músculos éticos. Na clínica, vejo diariamente pacientes lutando para alinhar seus desejos infantis com as exigências da vida adulta — e é aí que a hierarquia de propósitos se torna ferramenta terapêutica.


Hierarquia de Propósitos: o que realmente importa vem primeiro

Costumo trabalhar com o conceito de Hierarquia de Propósitos, ajudando o paciente a diferenciar:

  • o que é importante,
  • o que é urgente,
  • o que é desejo passageiro.

E quando ele começa a organizar sua vida segundo essa hierarquia, surgem perguntas profundas:

  • O que eu quero fazer?
  • O que eu preciso fazer?
  • O que eu devo fazer?

Essa reflexão abre espaço para que o paciente amadureça sua bússola interna — e entre em contato com virtudes como coragem para enfrentar conversas difíceis, prudência para tomar decisões conscientes, temperança para não se deixar levar por impulsos, e justiça para cuidar de si e do outro na medida certa.


Do desejo à maturidade: a travessia do adulto que decide crescer

A integração entre psicologia e filosofia não é apenas intelectual: ela é prática. Quando o paciente compreende que não basta “fazer o que gosta”, ele começa a construir uma vida com base em valores sólidos, e não apenas em emoções momentâneas.

E o curioso é que, ao assumir o que “tem que ser feito”, ele descobre algo surpreendente: realizar o necessário pode ser, sim, profundamente satisfatório — mais do que qualquer prazer fugaz.


Conclusão: virtudes como bússola terapêutica

Trabalhar com virtudes é trabalhar com o que sustenta o ser humano mesmo nos dias difíceis.

Mais do que aliviar sintomas, é formar caráter, orientar a ação, e ajudar o sujeito a encontrar um sentido que resista às crises.

Em tempos de atalhos, filtros e recompensas imediatas, a maturidade pode parecer antiquada. Mas, como psicólogo, continuo apostando no adulto que decide crescer — e que entende que a verdadeira liberdade não está em fazer tudo o que quer, mas em escolher bem o que merece ser feito.

Perguntas Frequentes

Qual é a diferença entre desejo e propósito de vida?

Desejo é o que queremos no momento — imediato, emocional, sujeito ao humor e às circunstâncias. Propósito é o que orienta as escolhas ao longo do tempo, mesmo quando não é prazeroso percorrê-lo. Aristóteles chamava a vida boa de eudaimonia: não o acúmulo de momentos agradáveis, mas a excelência cultivada pelo exercício das virtudes. Na clínica, isso aparece com frequência: adultos que esperam que a vida os recompense por fazerem apenas o que gostam, como se a felicidade fosse um direito automático. Quando a pessoa distingue o que quer, o que precisa e o que deve fazer, ela passa a construir uma vida orientada por valores — e não apenas por emoções passageiras.

Como encontrar propósito de vida quando nada parece fazer sentido?

Uma forma de começar é inverter a pergunta: em vez de buscar o que faz você feliz, pergunte-se pelo que vale fazer mesmo quando é difícil. Propósito não costuma ser revelação — costuma ser descoberta gradual à medida que a pessoa assume responsabilidade pelo que tem que ser feito e percebe satisfação nisso. A frase que orienta esse trabalho clínico é direta: criança faz o que gosta; adulto faz o que tem que ser feito. Quando o paciente percebe que realizar o necessário pode ser profundamente satisfatório — mais do que qualquer prazer fugaz —, ele começa a construir uma bússola interna que o orienta mesmo nas fases de crise.

Por que os adultos sofrem tanto com frustrações e expectativas não atendidas?

Grande parte do sofrimento moderno vem de uma confusão estrutural: tratar desejos como direitos. Quando a realidade não corresponde à expectativa de que a vida deveria recompensar automaticamente quem faz o que gosta, a frustração é inevitável. Na clínica, esse padrão aparece em adultos que ainda operam com a lógica infantil — a lógica do prazer imediato e da recompensa automática — e resistem às exigências da vida adulta. A verdadeira liberdade, segundo a perspectiva aristotélica que orienta esse trabalho, não está em fazer tudo o que se quer, mas em escolher bem o que merece ser feito e suportar os custos dessa escolha com maturidade.

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Psicólogo com Atendimento Online no Brasil e no Exterior: Como Posso te Ajudar https://marcelocomparin.com/psicologo-com-atendimento-online-no-brasil-e-no-exterior-como-posso-te-ajudar/ Thu, 26 Jun 2025 14:09:29 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=1180 Cuidar da mente também é cuidar da vida Com o passar dos anos, percebi que muitas pessoas ainda têm dificuldade em buscar ajuda psicológica. Algumas por preconceito, outras por não saberem exatamente como funciona uma psicoterapia, e muitas simplesmente por não encontrarem um profissional acessível — seja pela distância, pela rotina ou pelo fato de […]

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Cuidar da mente também é cuidar da vida

Com o passar dos anos, percebi que muitas pessoas ainda têm dificuldade em buscar ajuda psicológica. Algumas por preconceito, outras por não saberem exatamente como funciona uma psicoterapia, e muitas simplesmente por não encontrarem um profissional acessível — seja pela distância, pela rotina ou pelo fato de estarem fora do país.

Se você chegou até aqui, provavelmente está refletindo sobre sua saúde emocional. E eu quero te dizer: buscar um psicólogo é um passo importante, corajoso e, acima de tudo, necessário. Não importa onde você esteja — no Brasil ou morando fora — a terapia pode ser um espaço seguro para reorganizar sua vida, entender melhor seus sentimentos e encontrar novos caminhos.


Quem sou eu

Meu nome é Marcelo Comparin, sou psicólogo com mais de 20 anos de experiência clínica. Atendo adolescentes, jovens e adultos, unindo três abordagens que considero complementares e potentes: a Psicanálise, a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) e a Terapia do Esquema.

Essa união me permite olhar para cada paciente de forma individual, respeitando suas histórias, suas dores e seu tempo. Acredito que cada pessoa carrega dentro de si um universo único — e minha missão é ajudar a explorar esse universo com acolhimento, escuta ativa e estratégias terapêuticas eficazes.


Atendimento online para o Brasil e para brasileiros no exterior

Hoje, posso dizer com tranquilidade que a tecnologia ampliou os limites da psicoterapia. Realizo atendimentos onlinepara pessoas em qualquer região do Brasil e também para brasileiros que vivem no exterior.

Essa modalidade é segura, ética e totalmente adaptada à realidade de quem precisa de flexibilidade, seja por motivos geográficos, de tempo ou até mesmo por conforto pessoal. Muitos dos meus pacientes relatam que se sentem mais à vontade ao falar de suas questões no ambiente em que se sentem seguros — seja em casa, no trabalho ou em outro país.

O atendimento online também facilita o acompanhamento contínuo, algo essencial para a evolução do processo terapêutico. A escuta não tem fronteiras.


Como trabalho: uma abordagem híbrida e integrativa

Ao longo da minha carreira, compreendi que nenhuma abordagem terapêutica, isoladamente, dá conta de toda a complexidade humana. Por isso, construí uma forma de trabalho integrativa, que combina três escolas da psicologia:

  • A Psicanálise, que ajuda a investigar o que está no inconsciente, trazendo à luz padrões que se repetem e feridas emocionais antigas que ainda influenciam nossas escolhas.
  • A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), que foca nos pensamentos automáticos e nos comportamentos disfuncionais do presente. É prática, objetiva e traz ferramentas que auxiliam no dia a dia.
  • A Terapia do Esquema, que integra o melhor das duas anteriores, permitindo entender e ressignificar os “esquemas de vida” que muitas vezes se formaram na infância e continuam a se repetir na vida adulta.

Essa abordagem híbrida me permite ajustar o processo terapêutico conforme as necessidades de cada pessoa. Algumas situações exigem mais acolhimento e escuta profunda; outras, intervenções diretas e estratégias para lidar com crises emocionais, ansiedade, depressão ou dificuldades nos relacionamentos.


Para quem é indicado

Atendo pessoas que estão passando por:

  • Ansiedade e crises de pânico
  • Depressão e desânimo persistente
  • Dificuldades em relacionamentos afetivos ou familiares
  • Problemas de autoestima e autoconfiança
  • Questões relacionadas a identidade, propósito ou escolhas de vida
  • Estresse, exaustão emocional e sobrecarga
  • Traumas e vivências difíceis do passado

Também recebo muitas pessoas que não estão em sofrimento intenso, mas sentem que precisam reorganizar sua vida, entender seus ciclos e fortalecer sua saúde mental. A terapia é um espaço para quem quer se cuidar — e não apenas para quem está no limite.


Um psicólogo que fala a sua língua

Se você é brasileiro e está morando fora do país, talvez sinta falta de poder se expressar emocionalmente na sua língua materna, com um profissional que compreenda sua cultura, seus valores e o modo como você vive as relações.

Se esse for o seu caso, saiba que posso te atender à distância, com escuta qualificada e total sigilo. A psicoterapia online tem permitido que brasileiros em diferentes partes do mundo possam cuidar de si com continuidade e profundidade — mesmo estando longe de casa.


Conclusão: você não precisa enfrentar tudo sozinho

vida pode ser desafiadora, mas você não precisa carregar tudo sozinho. Cuidar da saúde mental é cuidar da sua história, das suas emoções e da forma como você se relaciona com o mundo.

Se você está em busca de um psicólogo, saiba que estou aqui para caminhar com você — com escuta, técnica, respeito e humanidade. Seja no Brasil ou no exterior, presencialmente ou online, o mais importante é saber que existe um espaço disponível para você ser ouvido, compreendido e acolhido.

Caso deseje saber mais sobre como funciona o atendimento online, horários ou valores, você pode entrar em contato diretamente comigo. Será um prazer te conhecer e contribuir para o seu processo de transformação e fortalecimento emocional.

Perguntas Frequentes

Como funciona a terapia online com um psicólogo?

A terapia online acontece por videochamada em plataformas seguras, com o mesmo rigor ético e sigilo do atendimento presencial. As sessões têm duração e frequência definidas em conjunto com o psicólogo, e você pode participar de onde estiver — em casa, no trabalho ou em outro país. O vínculo terapêutico se estabelece normalmente, e muitos pacientes relatam até maior conforto por estarem em um ambiente familiar. Marcelo Comparin (CRP 14/03335-3) atende online pacientes de qualquer cidade do Brasil e brasileiros que vivem no exterior, com total confidencialidade.

Posso fazer terapia online morando fora do Brasil?

Sim. Brasileiros que vivem no exterior podem e devem buscar acompanhamento psicológico online. Além da barreira geográfica, quem mora fora enfrenta desafios específicos — adaptação cultural, saudade, isolamento e conflito de identidade — que um psicólogo que fala sua língua e compreende sua cultura consegue acolher de forma muito mais qualificada do que um profissional local sem esse contexto. O atendimento online garante continuidade, sigilo e a profundidade necessária para um processo terapêutico consistente, independentemente do fuso horário ou do país onde você esteja.

Terapia online tem a mesma qualidade que a presencial?

A evidência clínica e a experiência prática mostram que sim: a terapia online é tão eficaz quanto a presencial para a grande maioria das demandas. O que define a qualidade de um processo terapêutico é a relação de confiança entre paciente e psicólogo, a consistência das sessões e a competência do profissional — não o canal pelo qual a conversa acontece. A flexibilidade do formato online ainda elimina barreiras logísticas que muitas vezes atrasam ou interrompem o cuidado com a saúde mental. Agendar uma primeira sessão é o passo inicial para avaliar se a modalidade funciona para você.

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Egoísmo Basal – a regra do 60/40 https://marcelocomparin.com/egoismo-basal/ Fri, 07 Jul 2023 11:33:21 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=806 Egoísmo Basal – a regra do 60/40 Deixando registrado que é um pensamento meu, não esperando necessariamente nenhum estudo científico sobre. Evitando entrar em discussão nas diferenças entre narcisismo e egoísmo, que são conceitos similares mas diferentes, venho pensando cada vez mais na importância do egoísmo basal para o ser humano. Por mais que pareça […]

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Egoísmo Basal – a regra do 60/40

Deixando registrado que é um pensamento meu, não esperando necessariamente nenhum estudo científico sobre.

Evitando entrar em discussão nas diferenças entre narcisismo e egoísmo, que são conceitos similares mas diferentes, venho pensando cada vez mais na importância do egoísmo basal para o ser humano.

Por mais que pareça um pensamento desadaptado, eu não entendo dessa forma.

60/40 = 60% do seu investimento físico, psíquico e afetivo em si + 40% para o outro. Pode ser 70/30 ou 55/45 dependendo da situação, mas a proporção precisa respeitar a ordem.

Se eu inverto essa proporção, eu desidrato lentamente, encolho e possivelmente deprima. Passo com o tempo a ser menos evoluído e complexo. Deixo de incrementar o eu, ou Ego, e fatalmente o outro terá uma pior versão do meu eu.

Se mantenho a proporção, evoluo continuamente, incremento minha potência, passo a ter mais recursos físicos, psíquicos e até financeiros e tenho cada vez mais como “cumprir” minha parte do acordo de oferecer um bom 40% para o outro.

Aí você para e se questiona: até mesmo com meus filhos? Sim.

Um pai desidratado, que perde energia constantemente, pois 40 é menos que 60 (🤪) tende a ser um modelo mais fraco para o filho. Se mantém a proporção que estou sugerindo não, aí tende a ser um modelo paterno ou materno forte e autoconfiante.

Um pai deprimido, pode ser introjetado pelo filho como fraco, gerando uma ideia de fraqueza para este último. Se isso ocorre, a criança usa de certa forma esse modelo, como objeto interno na construção da própria personalidade. “É assim que um homem é? É assim que devo agir?”

No contrário, mantendo a proporção 60/40, o Eu, como disse, quase que garante um modelo mais fortificado e ajuda na construção do ideal de Eu de uma criança.

Isso não serve só para filhos e pais, e sim para todas as relações. Um marido que faz mais pela esposa que para si, em algum momento se sentirá fraco, possivelmente até tenha raiva e não será um bom companheiro.

“Máscaras de oxigênio cairão sobre suas cabeças, primeiro coloque em você, depois no outro”. É básico, se não estiver vivo, como salvo o outro? Se eu estiver fraco, como ajudo o outro? Se eu estiver infeliz, como alegro o outro? Por aí vai…

Egoísmo Basal – regra do 60/40.

É uma ideia, quem sabe pode te ajudar.

Concorda ou não, deixe seu comentário.

Abraço.

Marcelo Comparin – Psicólogo Clínico
Diretor da M.CO Consultórios

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Culpa normal e Culpa patológica https://marcelocomparin.com/culpa-normal-e-culpa-patologica/ Mon, 01 May 2023 17:52:42 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=784 Culpa normal, diferente da culpa patológica, é uma emoção comum e saudável que as pessoas experimentam quando acreditam que fizeram algo errado ou inadequado. É uma resposta natural à consciência de ter violado alguma norma ou expectativa pessoal ou social. A culpa normal pode ser considerada adaptativa, pois ajuda a manter os relacionamentos interpessoais saudáveis […]

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Culpa normal, diferente da culpa patológica, é uma emoção comum e saudável que as pessoas experimentam quando acreditam que fizeram algo errado ou inadequado. É uma resposta natural à consciência de ter violado alguma norma ou expectativa pessoal ou social. A culpa normal pode ser considerada adaptativa, pois ajuda a manter os relacionamentos interpessoais saudáveis e a evitar comportamentos prejudiciais ou inadequados.

Já a culpa patológica é um estado emocional intenso e persistente de autodepreciação e autorreprovação, que ultrapassa a magnitude e a duração da culpa normal. A culpa patológica pode ser desencadeada por eventos triviais ou sem sentido, ou pode ser completamente injustificada. A pessoa com culpa patológica pode sentir-se extremamente envergonhada, humilhada e desvalorizada, e pode se culpar por tudo o que dá errado em sua vida, independentemente de ter responsabilidade real pelo problema.

A culpa disfuncional é um sintoma comum de vários transtornos mentais, como o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), o transtorno de ansiedade generalizada (TAG), o transtorno depressivo maior e o transtorno de personalidade borderline. O tratamento desse formato de culpa geralmente envolve a psicoterapia e, em alguns casos, o uso de medicamentos antidepressivos ou ansiolíticos.

Em resumo, é fundamental que se faça uma análise da culpa que é experimentada. Se ela tem amparo na realidade ou se é fruto de uma fantasia insustentável.

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Perguntas Frequentes

Qual a diferença entre culpa normal e culpa patológica?

A culpa normal é uma emoção adaptativa: surge quando a pessoa acredita ter agido de forma errada, motiva a correção do comportamento e ajuda a manter relações saudáveis. Ela é proporcional ao que aconteceu e tende a se dissipar após alguma reparação. Já a culpa patológica é intensa, persistente e frequentemente desproporcional ao evento — ou até completamente injustificada. A pessoa se autodeprava de forma excessiva, sente vergonha profunda e pode se culpar por situações sobre as quais não tem nenhuma responsabilidade real. A culpa que paralisa, em vez de corrigir, é um sinal de alerta.

Como saber se a culpa que estou sentindo é saudável ou excessiva?

A culpa saudável guarda proporção com o ocorrido, tem uma causa identificável e se resolve à medida que a pessoa reconhece o erro e busca repará-lo. Se a culpa persiste mesmo após qualquer tentativa de reparação, aparece em situações triviais ou em situações onde não há responsabilidade real, ou se gera sofrimento intenso que interfere no dia a dia, pode ser um sinal de culpa patológica. Uma pergunta útil é: ‘essa culpa tem amparo na realidade, ou é fruto de uma autocrítica excessiva e injustificada?’ Se a resposta não for clara, o acompanhamento psicológico pode ajudar.

Culpa patológica tem tratamento?

Sim. A culpa patológica é um sintoma recorrente em transtornos como depressão maior, TOC, ansiedade generalizada e transtorno de personalidade borderline, e responde bem ao tratamento. A psicoterapia é o principal recurso — ela ajuda a pessoa a examinar se a culpa tem base na realidade ou é alimentada por distorções cognitivas e crenças disfuncionais. Em alguns casos, o tratamento pode incluir medicação antidepressiva ou ansiolítica, prescrita por um psiquiatra. Quanto mais cedo o acompanhamento começa, menores os impactos desse sofrimento na vida cotidiana e nos relacionamentos.

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Falecimento, perda, luto e tristeza: como lidar? ÚLTIMA PARTE https://marcelocomparin.com/falecimento-perda-luto-e-tristeza-como-lidar-ultima-parte/ Thu, 23 Sep 2021 20:31:00 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=445 Como é o luto em crianças?   Mesmo que normalmente crianças não entendam suas perdas de primeira, elas são capazes de compreender a morte se um adulto explicar corretamente a elas de maneira simples e direta. Quando muito pequenas, elas podem acreditar que a pessoa falecida vá voltar em breve. De qualquer maneira, saber lidar […]

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Como é o luto em crianças?

 

Mesmo que normalmente crianças não entendam suas perdas de primeira, elas são capazes de compreender a morte se um adulto explicar corretamente a elas de maneira simples e direta. Quando muito pequenas, elas podem acreditar que a pessoa falecida vá voltar em breve. De qualquer maneira, saber lidar com o luto de uma criança é essencial para um crescimento e amadurecimento psicológico saudável ao passar dos anos.

 

Em alguns casos, a perda de alguém muito próximo pode acarretar na mudança da rotina da criança por completo. Dessa forma, o acompanhamento tanto com os responsáveis pela criança como com a própria criança é indispensável. É de extrema importância que os adultos que rodeiam a criança saibam conduzir a situação de maneira delicada e com acompanhamento psicológico.

 

Portanto, é incorreto alimentar na criança uma esperança de retorno do amado, pois, com o passar dos anos, o jovem desenvolverá um luto com revolta.

 

De qualquer forma, as crianças aprendem a demonstrar as emoções observando as reações dos adultos que as rodeiam. Com isso, se um adulto esconder suas emoções quanto ao luto na frente da criança, ela fará o mesmo e criar-se-á assim um processo de luto doentio, que apresentará consequências com o passar dos anos.

 

De primeira, é possível que ela apresente dificuldades em verbalizar seus sentimentos e problemas, entretanto o terapeuta que conduz o caso é responsável por fazer com que o pequeno ou a pequena se sinta à vontade para se expressar e superar o ciclo do luto de maneira saudável.

 

Como ajudar alguém enlutado?

 

Que o ombro amigo é essencial para o enlutado nós já vimos nos últimos parágrafos. Aliás, é comum até mesmo que ele escolha alguém para ser seu auxílio em momento tão delicado. Mas como ser esse ombro amigo? O luto é algo tão sensível e particular que muitas vezes não sabemos como lidar.

 

No entanto, a resposta é simples, com ações firmes. A pessoa enlutada precisa de consolo, de paciência e, principalmente, ela precisa ser escutada sem julgamentos, mas com acolhimento. Por isso, para ajudar alguém enlutado, console, abrace, acolha, apoie e escute. Muitas vezes, apenas a sua presença já fará uma diferença grande no estado da pessoa. Permita que o enlutado viva suas fases de maneira saudável, respeite os momentos dele, incentive a ida à terapia, recorde bons momentos do ente falecido com ela e mostre que não é o fim de tudo, que você e outras pessoas estão ali para apoiá-la.

 

É importante que a pessoa enlutada se sinta amada e acolhida. Embora seja um papel difícil acolher o enlutado, deve-se ter paciência e deixar com que ela expresse seus sentimentos. Inúmeros são os casos nos quais a pessoa que sofre com a perda de alguém entra em abismos profundos pela simples falta de paciência dos que a rodeiam.

 

Assim, não permita que sua pessoa enlutada entre em situação tão difícil; ajude-a, seja presente, forte, amigo e prestativo. Logo a fase de luto irá passar e, certamente, você não se arrependerá do auxílio dado em momento tão delicado da vida. Não se esqueça: todos um dia vivenciamos ou vivenciaremos a experiência do luto; então, dê o seu melhor ao ajudar alguém enlutado, pois ele certamente precisa muito de você.  Falaremos sobre outras formas de luto mais para frente.

Saiba mais sobre as psicopatologias aqui: https://marcelocomparin.com/sobre-as-psicopatologias/

Abraço,
Marcelo

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Falecimento, perda, luto e tristeza: como lidar? TERCEIRA PARTE https://marcelocomparin.com/falecimento-perda-luto-e-tristeza-como-lidar-terceira-parte/ Wed, 22 Sep 2021 20:21:00 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=443   Como é o processo de superação do luto?   Cada experiência de luto é única (a superação também), pessoal e complexa à sua forma. Dependendo da cultura, da experiência pessoal, das crenças e da personalidade do enlutado, o processo de superação tende a ser diferente de um para o outro. Por isso, o terapeuta,  […]

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Como é o processo de superação do luto?

 

Cada experiência de luto é única (a superação também), pessoal e complexa à sua forma. Dependendo da cultura, da experiência pessoal, das crenças e da personalidade do enlutado, o processo de superação tende a ser diferente de um para o outro. Por isso, o terapeuta,  que guia o tratamento, deve estar atento a ajustar a terapia de acordo com as necessidades específicas de cada paciente em especial.

 

Contudo, assim como nas fases mais comuns do luto, o processo de superação também apresenta um padrão. Por exemplo, a terapia ajuda o paciente a manter conexões saudáveis com seu ente querido já falecido. No processo de superação do luto, muitas pessoas se sentem aliviadas quando falam de seus queridos para alguém. Ao longo das sessões de terapia, por meio das reafirmações de laços, o indivíduo tende a aliviar a pressão da dor causada pela perda e a preencher, de maneira saudável, o espaço deixado pelo ente.

 

Também, ao longo das sessões de terapia, durante o processo de superação do luto, o terapeuta auxilia o paciente em adaptar a rotina após o evento e a ajustar a vida sem a pessoa amada presente fisicamente, a fim de devolver a qualidade de vida à pessoa enlutada. Tal cuidado é essencial  para que o indivíduo não fique desesperançoso e queira se juntar à pessoa amada na morte.

 

Há também a possibilidade de participar de outros tipos de terapia, além da tradicional terapia individual. Dependendo da situação, terapias em grupo e em família podem ser extremamente convenientes para o enlutado.

 

Nas terapias em grupo, o indivíduo encontra consolo ao compartilhar seus pensamentos e sentimentos com outros que estão passando pela mesma fase. Já as terapias em família são adequadas a famílias que se encontram em situação complicada, principalmente com a adaptação de rotina, que, tantas vezes é diretamente afetada com a partida de um familiar.

Semana que vem, daremos continuidade a este artigo sobre luto.

Saiba mais sobre as psicopatologias aqui: https://marcelocomparin.com/sobre-as-psicopatologias/

Abraço,
Marcelo

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Falecimento, perda, luto e tristeza: como lidar? SEGUNDA PARTE https://marcelocomparin.com/falecimento-perda-luto-e-tristeza-como-lidar-segunda-parte/ Mon, 20 Sep 2021 20:12:00 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=439 O que acontece se as fases do luto não forem vividas? Seguir em frente: eis a atitude necessária para quem perdeu alguém muito querido, por mais difícil que possa parecer. Não existe outra alternativa, precisamos passar pelo processo de luto. Entretanto, algumas vezes o luto é mal compreendido e mal vivenciado por algumas pessoas, que, […]

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O que acontece se as fases do luto não forem vividas?

Seguir em frente: eis a atitude necessária para quem perdeu alguém muito querido, por mais difícil que possa parecer. Não existe outra alternativa, precisamos passar pelo processo de luto. Entretanto, algumas vezes o luto é mal compreendido e mal vivenciado por algumas pessoas, que, querendo demonstrar força ou normalidade, acabam por forçar uma “superação” no processo de perda. Infelizmente, esses casos não são tão raros e desencadeiam um processo patológico.

 

Com isso, uma pessoa enlutada de maneira não saudável desenvolve, inicialmente, uma recusa à dor, negando, de uma forma doentia, a morte do querido. Nesses casos, mais comuns em casos de morte inesperada, a pessoa simplesmente não admite que a morte aconteceu e age, no momento da crise inicial, como se o fato nunca tivesse sido noticiado. Para isso, a mesma se torna prisioneira do seu próprio cenário e desenvolve comportamentos que ignoram a partida do ente querido.

 

No processo do luto doentio, o indivíduo fala do falecido como se ainda estivesse vivo, não participa das exéquias e nem de processos que envolvam assuntos legais relacionados a ele, além de não fazer alterações em seus hábitos rotineiros. Por exemplo: não tirar de vista os objetos do falecido, como se ele ainda estivesse vivo e fosse usá-los depois de um dia corrido no trabalho.

 

Nesses casos, a intervenção terapêutica é de extrema importância, pois, se a negação doentia da morte permanecer, as consequências em um futuro próximo serão muito ruins. Ainda que o indivíduo não pense ser necessário e se sinta em total normalidade por não estar sentindo “nada” quanto à morte da pessoa querida, é necessário que algum familiar ou amigo conduza à situação o mais breve possível a um consultório psicológico.

 

Uma vez que a pessoa desenvolve um luto patológico, o processo passa a se arrastar de fase para fase, sem que se possa aplicar um Ciclo do Luto visto como adequado. Se não acompanhados por profissionais, os casos de luto crônico podem se perpetuar para um ciclo de luto sem fim, que podemos chamar de Ciclo Perpétuo de Dor.

 

Durante esse ciclo, mesmo em períodos após o período que sucede a notícia da morte, ocorre um abrupto processo de luto, com crises apesar de antes terem ocorrido poucas, ou, até mesmo, nenhuma manifestação de luto. Essas pessoas, se não devidamente acompanhadas por profissionais, podem ficar entregues a uma realidade interior vazia e doentia, mergulhadas em um oceano de melancolia e infelicidade.

Semana que vem, daremos continuidade a este artigo sobre luto.


Saiba mais sobre as psicopatologias aqui: https://marcelocomparin.com/sobre-as-psicopatologias/

Abraço,
Marcelo

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Falecimento, perda, luto e tristeza: como lidar? https://marcelocomparin.com/falecimento-perda-luto-e-tristeza-como-lidar/ Fri, 17 Sep 2021 19:47:15 +0000 https://marcelocomparin.com/?p=432 Falecimento, perda, luto e tristeza: como lidar? PRIMEIRA PARTE A perda para a morte de alguém querido não é nada fácil e o ser humano está propenso a experienciar isso em algum ponto de sua vida através do luto. O processo de adaptação de rotina após uma perda significante varia drasticamente de pessoa para pessoa. […]

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Falecimento, perda, luto e tristeza: como lidar? PRIMEIRA PARTE

A perda para a morte de alguém querido não é nada fácil e o ser humano está propenso a experienciar isso em algum ponto de sua vida através do luto. O processo de adaptação de rotina após uma perda significante varia drasticamente de pessoa para pessoa. Em geral, o decorrer do processo do luto depende bastante do estilo de vida, das crenças, da cultura e do relacionamento com o ente falecido.

Naturalmente existem perdas e lutos diversos, como por exemplo o luto de uma relação amorosa que se encerrou. Mas nesse artigo vamos nos ater apenas ao processo de luto pelo falecimento de alguém querido, especialmente um familiar.

O que é o luto e quais suas fases?

Pode-se definir o luto como um sentimento de tristeza profunda pela perda de alguém, especialmente pelo falecimento. Contudo, não podemos nos privar a isso, uma vez que a experiência do luto não é limitada à tristeza.

     O luto pode envolver sentimentos de: culpa, raiva, saudade, confusão e surpresa. As emoções sentidas podem ser surpreendentes quanto à sua intensidade e forma. Há também a mistura de emoções, que acabam por deixar a pessoa enlutada confusa, como no caso de alguém sentir, em seu luto, uma profunda tristeza por ter perdido um ente querido para uma doença grave, por exemplo, mas, ao mesmo tempo, sentir-se aliviado por saber que aquele ente não se encontra mais em sofrimento.

Os comportamentos após a perda de alguém querido também podem variar. Há pessoas que se isolam de amigos e familiares, outros que precisam e querem conversar e ter um ombro amigo, outros que preferem praticar atividades ao ar livre, tocar instrumentos musicais, escrever, trabalhar mais do que o rotineiro, dentre outras atividades particulares a cada pessoa.

Além disso, as pessoas enlutadas tendem a desenvolver pensamentos que façam com que seus sentimentos tenham coerência para elas mesmas. Como, por exemplo, pensar que o ente teve uma boa vida, que aproveitou bem os momentos, que não havia nada a ser feito; ou, que não era a hora dele partir, que a vida foi injusta, que foi tudo culpa dele (da pessoa enlutada) e que ele ainda tinha um longo caminho a ser percorrido.

 O luto é um processo individual, mas que apresenta alguns padrões. Por isso, psicólogos e pesquisadores reuniram seus casos de estudo relativos ao luto e classificaram, em cinco, os estágios mais familiares, que ocorrem durante tão doloroso processo. São eles, nem sempre em ordem cronológica após a morte do ente querido:

● Negação
● Raiva
● Barganha ou negociação
● Depressão
● Aceitação

Durante o luto, a terapia é uma ferramenta essencial para o processo de aceitação. O terapeuta auxilia o indivíduo a se reinstalar na realidade e a seguir a vida, com as adaptações de rotina necessárias após a perda.

Para muitos, a perda de alguém muito próximo pode desencadear em transtornos de ansiedade, depressão e até mesmo suicídio. Aí entra o terapeuta, que tem como papel entender e amenizar a dor do paciente e ajudá-lo a retornar à vida após a partida da pessoa querida.

Existem várias formas de terapia para diferentes formas de luto. Há quem se encaixe melhor em terapias individuais, em grupo ou familiares, a depender do caso. Todavia, o trabalho desenvolvido com o terapeuta é, sem sombra de dúvidas, um divisor de águas na vida do enlutado.

Semana que vem, daremos continuidade a este artigo sobre luto.

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Abraço,
Marcelo

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